A
importância do pólen para as abelhas
Para muitos insetos, e especialmente para as abelhas, o pólen
é a principal fonte de alimento não líquido.
O pólen contém a maioria, se não todos, os
nutrientes essenciais para a produção de geléia
real, com a qual são nutridas as larvas de rainha e as larvas
jovens de operárias. O pólen é a principal
fonte de proteínas e lipídios para as larvas, talvez
para todas as espécies e gêneros de Apidae, pois a
quantidade de proteína e gordura no néctar é
insignificante.
As operárias mais velhas usam a proteína diretamente
do pólen, já as larvas e os adultos de rainha e as
larvas jovens de ambos os sexos recebem geléia real, produzida
pelas abelhas nutrizes, enriquecida com pólen.
Deste
modo o pólen é essencial para o crescimento normal
e o desenvolvimento de todos os indivíduos de uma colônia
de abelhas, bem como, é essencial para a reprodução
das colônias.
O corpo das abelhas é recoberto por finos pêlos nos
quais o pólen adere quando as abelhas visitam as flores.
As abelhas, em seguida, varrem o pólen de seus corpos com
o auxílio das pernas e os acondicionam em depressões
localizadas nos fêmures das pernas posteriores que recebem
o nome de corbículas. Posteriormente, o pólen coletado
é estocado em células dos quadros e pela ação
de enzimas presentes na saliva das abelhas este pólen estocado
sofre algumas transformações e recebe o nome de “pão
de abelhas”.
A
quantidade de pólen carregada pelas abelhas melíferas
é maior do que a coletada por outros insetos. Abelhas dos
gêneros Apis, Bombus e Colletes podem carregar cargas de pólen
de 100-120mg, igual aproximadamente à metade do peso de seu
corpo.
Nem todos os grãos de pólen têm igual valor
nutritivo para as abelhas, pois eles diferem em sua composição
química de planta para planta. Abelhas alimentadas com determinados
tipos de pólen desenvolvem-se mais rapidamente do que com
outros tipos, pois cada pólen tem uma quantidade diferente
de vitaminas, proteínas, carboidratos, minerais, açúcares.
As
abelhas conseguem sintetizar apenas a histidina e talvez a arginina,
mas os demais aminoácidos essenciais ao desenvolvimento das
abelhas são retirados do pólen.
O pólen é consumido pelas abelhas adultas, é
fornecido às larvas de operárias e zangões,
após o terceiro dia de desenvolvimento.
Para produzir cera e geléia real a abelha operária
necessita também se alimentar de pólen o que propicia
o bom desenvolvimento das glândulas produtoras destas substâncias.
Pólen nos produtos apícolas
As
abelhas, ao coletarem o néctar das flores para a produção
de mel, carregam também, involuntariamente ou não,
o pólen, sendo este adicionado ao mel quando o néctar
é regurgitado nos alvéolos. Desta maneira o pólen
aparecerá no mel e em outros produtos da colméia como
cera e própolis, constituindo-se em um importante indicador
de sua origem geográfica, principalmente, e botânica.
A análise polínica permite identificar as principais
fontes poliníferas utilizadas pelas abelhas, bem como os
períodos de produção de pólen no campo
e as possíveis épocas de carência. A análise
polínica baseia-se no conhecimento prévio das características
morfológicas dos grãos de pólen de espécies
de plantas ou de grupos de plantas. Esta análise é
feita por comparação do pólen presente nos
produtos apícolas (mel, própolis, cera), com aqueles
referentes à flora da região, previamente catalogados.
Composição do pólen
O
pólen contém basicamente:
30%
de água,
10 a 36% de proteínas,
20 a 40% de glucídeos,
1 a 20% de lipídios (gorduras) (mas usualmente não
mais que 5%),
1 a 7% de matérias minerais (apresenta cálcio, cloro,
cobre, ferro, magnésio, fósforo, potássio,
silício, enxofre, alumínio, ferro, manganês,
níquel, titânio e zinco), além de resinas, matérias
corantes, vitaminas A, B, C, D, E, enzimas e coenzimas.
Os
principais aminoácidos encontrados em sua composição
são principalmente: arginina, histidina, isoleucina, lisina,
metionina, fenilalanina, treonina, triptofano, valina e prolina
(o mais abundante). São observados também carboidratos
(cerca de 29%) que são formados por açúcares
reduzidos e quantidades insignificantes de glicose, frutose, rafinose
e amido.
Como o valor alimentar do pólen de diferentes fontes, varia
grandemente (de 7,02% nos Pinus a 35,5% nas Palmaceas), uma mistura
de diferentes fontes botânicas é necessária
para propiciar uma dieta balanceada e é isso que a abelha
costuma fazer de modo que, em média o pólen coletado
por abelhas compara-se em conteúdo protéico com o
dos feijões, ervilhas e lentilhas.
O pólen
apresenta uma composição química altamente
complexa e provavelmente até agora não totalmente
elucidada, tendo condições de fornecer praticamente
todas as substâncias indispensáveis ao bom funcionamento
do organismo humano.
A utilização do pólen como complemento alimentar
para o organismo humano exerce uma ação tripla sobre
o mesmo, pois além de atuar sobre o crescimento, regula as
funções intestinais e o sistema nervoso, e finalmente
fortifica o organismo de uma maneira geral.
Artigo originalmente publicado no site do Instituto
de Zootecnia/APTA/SAA - www.iz.sp.gov.br, em PDF (Portable Document
Format).
*Augusta Carolina de Camargo Carmello Moreti: possui graduação
em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiróz (1976), mestrado em Entomologia pela Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (1980) e doutorado em Ciências
Biológicas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
(1990). Atualmente é pesquisadora científica do Instituto
de Zootecnia. Tem experiência na área de Zootecnia,
com ênfase em Ecologia dos Animais Domésticos e Etologia,
atuando principalmente nos seguintes temas: apis mellifera, mel,
abelha africanizada, analises físico-químicos e abelhas
africanizadas.
Onde
encontrar: Pólen Desidratado
está à venda na
www.lojadojardim.com