|
Chá de amora branca e amora miura estão à venda na Loja do Jardim - Clique aqui! Amoreiras - rústicas, resistentes e... medicinais! Por: Rose Aielo Blanco*
"Vou contar para o seu pai que você namora, Como bem descreve a música Amora, de Renato Teixeira, até pouco tempo atrás era bastante comum a presença de uma amoreira no quintal das casas. Rústicas, resistentes e de fácil cultivo, eram a garantia de frutos doces e deliciosos para alegria de crianças e adultos. Com o passar do tempo (e com o fim dos quintais), as amoreiras passaram a ser vistas como plantas silvestres. Seus frutos, delicados e perecíveis, não são capazes de sobreviver à aventura de sair do campo e chegar aos supermercados e, assim, as amoras foram gradualmente ficando na doce lembrança de quem tinha o privilégio de degustá-las ali mesmo, ao lado da árvore. Entretanto, com o recente e crescente interesse pelas plantas medicinais, a amoreira vem despertando a curiosidade e ganhando espaço na mídia pelas suas propriedades que estão sendo comprovadas em estudos científicos realizados em vários países. As amoras pertencem à família das Moráceas que abriga espécies bem variadas e produzem frutos bem diferentes entre si. Nesta família, além das amoras, encontramos os figos e até a jaca!
Dentre os diversos cultivares de Morus alba existentes no Brasil, destacam-se a variedade Miura e os híbridos FM 86 e Shima Miura, cujas principais características são a precocidade vegetativa, folhas de boa qualidade e o fato de apresentarem boa propagação por estaquia. A variedade Miura (amora miura) é considerada uma das melhores variedades entre as cultivadas. Além de apresentar alto teor de proteína, as folhas da amoreira branca (Morus alba L.) são totalmente livres de toxicidade e ainda apresentam propriedades capazes de diminuir o nível de glicose no sangue, auxiliar a reduzir a hipertensão, são diuréticas e indicadas popularmente para o tratamento do colesterol alto. Por serem muito nutritivas e apresentarem alto teor de proteína, as folhas da amora branca são utilizadas como o único alimento do bicho-da-seda da amoreira (Bombyx mori) em sua fase inicial de vida. O assunto é bem interessante, pois as amoreiras têm uma história muito ligada à fabricação da seda. Tudo começa com uma lenda sobre a descoberta da seda indicando que esta ocorreu por acaso, quando uma imperatriz chinesa, por volta de 2.600 a.C., tomava seu chá embaixo de uma amoreira, nos arredores do seu palácio: um casulo do bicho-da-seda teria caído dentro da sua xícara de chá fervendo e ela percebeu que por estar amolecido, o casulo poderia ser desenrolado, formando um fio. Os chineses tiveram exclusividade na fabricação da seda por cerca de 3 mil anos. O governo chinês, ciente do valor comercial da seda, proibia a exportação de ovos de mariposas e sementes de amoreiras, chegando a condenar à morte os considerados traficantes. Conta-se que os europeus só romperam este bloqueio quando um imperador romano enviou espiões disfarçados de monges à China, que conseguiram esconder alguns ovos de bicho-da-seda dentro de bambus e os levaram para a Europa. Aqui no Brasil, embora as primeiras amoreiras tenham sido plantadas em Minas Gerais, por ordem de dona Maria I, a Louca, mãe de D. João VI, que reinou de 1777 a 1792, a produção de seda iniciou-se efetivamente apenas no Segundo Reinado. Deliciosamente medicinal
Todas as espécies de amoras são ricas em vitamina C e antocianinas - flavonóides bioativos com poderosa ação antioxidante. A amora tem em sua composição água (85%), proteínas, fibras, lipídios e carboidratos, além de cálcio, fósforo, potássio, magnésio, ferro, selênio e várias vitaminas. Isso tudo com baixo valor calórico: são apenas 52 calorias em 100 g de fruta. Na amoreira são encontradas também substâncias como os fitoquímicos, ou compostos secundários. Estas substâncias são produzidas naturalmente pelas plantas para se protegerem do ataque de pragas e doenças, além de ajudar a planta a se adaptar às condições adversas do ambiente. Muitos destes fitoquímicos atuam na prevenção e no combate de doenças como o câncer e as doenças cardiovasculares. Na medicina natural, são relatadas outras propriedades da amoreira, como o efeito emagrecedor; amenizador da tensão pré-menstrual e sintomas da menopausa; efeito desintoxicante e antioxidante, prevenindo contra a ação dos radicais livres. Além disso, já são famosas suas propriedades como auxiliar em problemas como diabetes, pressão alta e mau colesterol elevado.
* A infusão ou o suco do fruto são usados em gargarejos e bochechos contra aftas, amigdalite e dor-de-dente; *
A decocção da casca e das raízes são indicadas contra problemas de
estômago, intestino e também como vermífugo; Dicas de cultivo A amoreira teve provável origem na China ou Índia. Pertence à família das Moráceas e ao gênero Morus, que possui cerca de 950 espécies. A temperatura ideal para o desenvolvimento da amoreira situa-se entre 24 e 28 graus C. Temperaturas abaixo de 13 graus podem prejudicar fortemente o desenvolvimento da planta. O solo indicado deve possuir boa profundidade, alto teor de matéria orgânica e textura média. As mudas de amoreira podem ser obtidas por sementes, estacas, enxertia e mergulhia. A melhor época para o plantio da amoreira é o início da primavera. Quanto à adubação, é recomendável a orgânica, pois além de fornecer nutrientes à planta, ainda proporciona a melhoria das propriedades físicas do solo e facilita o desenvolvimento de microorganismos. Como sugestão, pode-se aplicar uma mistura de esterco de curral curtido, farinha de osso e torta de mamona. Não é recomendável fazer poda ou colheita antes de 6 meses a contar do plantio, para que seja permitido que a planta desenvolva seu sistema radicular e estabilize seu desenvolvimento. Além disso, não é indicada a aplicação de inseticidas ou outros produtos químicos, uma vez que a amoreira é uma planta bem rústica e resistente. Curiosidades sobre a amoreira
* Segundo Ornato José da Silva, autor do livro Ervas e Raízes Africanas, a amoreira branca é uma planta utilizada nos ritos africanos para limpeza energética. Suas folhas teriam o poder de captar, a partir do raiar do sol, toda a negatividade que é expelida à noite, logo após este se pôr. * O primeiro papel introduzido no Japão foi originário da Coréia e era feito de amoreira. * As amoreiras eram bem conhecidas pelas antigas civilizações. Eram famosas em razão dos deliciosos frutos, pelo rápido crescimento e também pela grande quantidade de folhas verdes que eram consumidas pelos animais. *Pesquisadores da Universidade de Scranton, na Pensilvânia (EUA), constataram que a ingestão de suco de amora, três vezes ao dia, pode aumentar significativamente a taxa de colesterol bom no sangue, reduzindo os riscos de doenças do coração. * Na Europa do século XVI, era costume utilizar tanto os frutos, como as folhas e a casca da amoreira. O fruto era usado contra inflamações e hemorragias; a casca contra as dores de dente e as folhas para tratar picadas de cobras e como antídoto para o envenenamento por acônito. * A amoreira branca é muito usada na China para tratar tosse, resfriados, dores de cabeça, irritação da garganta e pressão alta. No conceito chinês de Yin e Yang, a amora branca é usada para dissipar o calor do canal do fígado, evitando irritação nos olhos, elevando o estado de ânimo e refrescando o sangue. É, portanto, considerada um tônico Yin. * A amora em alemão é chamada "maulbeerbaum"; em espanhol é "moral"; em francês é "murier"; em italiano é "gelso" e em inglês seu nome é "mulberry". * Na mitologia grego-romana a amoreira era dedicada à deusa Minerva/Athena. Muito apreciada nos banquetes romanos, o uso da amora foi mencionado por Ovídio, Horácio e Virgílio. Além disso, foram encontradas representações da amoreira nas ruínas de Pompéia. * Em tempos antigos, as amoras eram usadas como maquiagem, com a função de ruborizar a face, como um rouge, ou blush. * Rose Aielo Blanco é jornalista, escritora e editora do www.jardimdeflores.com.br Onde encontrar: Chá de amora branca e amora miura estão à venda na Loja do Jardim - Clique aqui!
|