
Cravo-da-índia
Eugenia
caryophyllata Thunb, Syzygium aromaticum
O nome
científico antigo do cravo-da-índia, Eugenia caryophyllata Thunb.,
deriva da palavra grega "karyophyllon" que significa "folha-noz".
Da China é que veio a primeira indicação do uso do cravo-da-índia
como condimento, remédio e elemento básico para elaboração de perfumes
especiais e incensos aromáticos. Na China, era então conhecida por
"ting hiang" e na dinastia Han (206 a.C. - 220 d.C.) seus frutos foram
levados para a corte do imperador por enviados da Ilha de Java. Conta-se
que os próprios javaneses mantinham um pequeno fruto na boca para
melhorar o hálito, antes de ir falar pessoalmente com o imperador.
Hoje,
a ciência já é capaz de explicar esse uso: é que o eugenol, óleo essencial
presente nesta especiaria apresenta efeitos antiinflamatório, cicatrizante,
analgésico e é eficaz na eliminação de bactérias presentes na boca.
A
primeira pessoa a fazer uma descrição completa do cravo-da-índia foi
um botânico alemão chamado Everard Rumph que dizia: "é a mais bela,
a mais elegante e a mais preciosa de todas as árvores". Na culinária
da Idade Média, o cravo-da-índia era usado como aromatizante para
conservas e como adorno para pratos selecionados. Na época do reinado
de Ricardo II, era ingrediente do Hippocras, um vinho quente
tomado costumeiramente pelos nobres.
No
século 16, quando chegaram às Ilhas Moluccas, os portugueses imediatamente
dominaram as plantações, destruindo aquelas que não podiam vigiar
de perto. Esse monopólio fez com que o preço do cravo-da-índia no
mercado ficasse muito alto. Os holandeses que sucederam aos portugueses
agiram da mesma forma e ganharam o monopólio ao destruir todos os
craveiros-da-índia, exceto aqueles que cresciam em uma ilha de sua
propriedade: Ambon. Finalmente, a França rompeu o monopólio e, no
começo do século XIX, a planta já era cultivada em grandes plantações
em muitas regiões tropicais. No Brasil, o cravo-da-índia é cultivado
em regiões quentes.
Ficha
da planta
Família:
Mirtáceas
Origem:
Ilhas Moluccas
Outros nomes populares: craveiro-da-índia, cravina-de-túnis,
cravo-de-cabecinha, cravoária e rosa-da-índia.
Outros Idiomas: caryophylli (latim), clove (inglês), clavo
(espanhol), clou de girofle (francês), garòfano d'India (italiano).
Características: o cravo-da-índia é uma planta de porte arbóreo,
de ciclo perene e que atinge cerca de 12 metros de altura. A copa
é bem verde, de formato piramidal. As folhas são semelhantes às do
louro, ovais, opostas e de coloração verde brilhante, com numerosas
glândulas de óleo visíveis contra a luz. As flores são pequenas, branco-amareladas,
agrupadas em cachos terminais. O fruto é do tipo baga e de formato
alongado, suculentos, vermelhos e comestíveis. Aroma forte e penetrante.
Os cravos-da-índia que usamos na culinária são, na realidade, os botões
florais (ainda não abertos) desta uma árvore.
Composição química: eugenol, acetato de eugenol, beta-cariofileno,
ácido oleânico, triterpeno, benzaldeído, ceras vegetais, cetona, chavicol,
resinas, taninos, ácido gálico, esteróis, esteróis glicosídicos, kaempferol
e quercetina.
Partes usadas: Óleo essencial e botões florais secos.
Cuidados: Não se deve exagerar no consumo do cravo. Ele pode
irritar a mucosa da boca. Além disso, quem tem o estômago mais sensível
também deve usá-lo com moderação.
Cultivo

Clima
indicado: tropical
Exposição solar: Plena
Propagação: por sementes
Espaçamento: 8 metros entre plantas
Solo indicado: rico em matéria orgânica e nutrientes, úmido
e bem drenado. Pode ser plantado em consórcio com a pimenta-do-reino
e leguminosas que ajudam a fixar nitrogênio no solo.
Adubação e correção: esterco bem curtido, húmus ou matéria
orgânica incorporados a 60 centímetros de profundidade.
Regas: Moderadas
Colheita dos botões florais secos: quando as flores ainda estão
fechadas, em botão, após o quinto ano de vida da planta.
Secagem dos botões florais secos: ao sol por, aproximadamente,
quatro dias, até adquirirem coloração escura.
Armazenamento dos botões florais secos: em sacos de papel ou
recipientes de vidro bem fechados.
Usos:
Na culinária: O cravo-da-índia é um condimento versátil que
pode ser usado tanto em pratos doces como em pratos salgados. É normalmente
empregado no preparo de caldos, ensopados, doces, pudins, bolos, tortas
de maçã, pães, vinhos e ponches quentes e licores. O eugenol, presente
no óleo essencial, tem ação bactericida, o que o torna útil para preservar
e prolongar a validade de compotas e conservas. Em alguns países,
costuma-se introduzí-lo juntamente com dentes de alho dentro de pernis
e presuntos. Na Europa, é muito usado para condimentar carnes e salames.
Já no Brasil, o cravo-da-índia é usado mesmo para pratos doces, hábito
adquirido da nossa colonização portuguesa.
Na saúde e cosmética: Usado em loções e vaporizações para limpeza
da pele do rosto, em produtos de higiene bucal para fazer assepsia
e promover um hálito agradável, em banhos de imersão aromáticos e
águas perfumadas. É também eficaz no combate à
acne.
O óleo pode ser usado para massagear músculos doloridos, para suavizar
estrias e é eficaz no tratamento de unhas quebradiças, rachadas ou
fracas e de calosidades. Usado na elaboração de pomadas para remoção
de verrugas. Ainda na forma de pomadas e cremes, alivia a coceira
e o inchaço das picadas de inseto.É também utilizado em xampus e loções
capilares que limpam e auxiliam o crescimento dos fios.
Contra-indicações: pode provocar contrações na musculatura
do útero sendo, portanto, contra-indicado para gestantes.
Efeitos colaterais: o uso externo pode causar eventuais reações
alérgicas em pessoas sensíveis. O óleo essencial pode causar irritação
na pele.
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