No Brasil,
considerando-se a escala de tempo, o período correspondente
a um ano difere
essencialmente da Europa. Aqui, não há um inverno muito
rigoroso e com neve. Não existem períodos definidos
nos quais as folhas das árvores se tornam amarelas ou avermelhadas
e posteriormente caem, resultando numa paisagem branca, com caules
e ramos totalmente despidos de folhas.
A paisagem brasileira, embora também possua espécies
arbóreas nativas que ficam sem folhas no inverno, apresenta-se
com flores durante todo o ano, mesmo no período frio. Neste
período, inclusive, temos espécies com ramos completamente
despidos de folhas, mas totalmente cobertos com flores, num espetáculo
de cores pouco comum. Destacam-se pela exuberância da floração
abundante, os ipês, com flores amarelas, roxas e rosas e as
suinãs, com flores de diversos matizes entre o vermelho e o
laranja. Por
isso, no Brasil, o impacto das diferentes estações é
mais de ordem visual, definida pelas cores das flores de nossa vegetação.
Ao contrário da Europa onde a temperatura tem um papel fundamental.
É muito importante que todos nós brasileiros tenhamos
plena consciência desse fato, que é essencial para a
percepção não só da paisagem, como do
transcorrer do tempo de nossas vidas, indispensável para o
equilíbrio mental e psíquico dos seres humanos. Na Europa,
isso é facilitado pelo frio e pela neve, impossíveis
de não serem notados. Aqui no Brasil, podemos passar o ano
todo sem notar grandes alterações de temperatura que
caracterizem o passar do tempo. Salvo pela presença da vegetação.
Daí a importância de se pensar em selecionar espécies
arbóreas que forneçam flores o ano todo, toda vez que
vamos projetar plantios e paisagens. Esse critério deve ser
promovido e incentivado.
Essas espécies arbóreas podem ser introduzidas não
somente em parques, mas em arborização de ruas, nas
calçadas. No entanto, podem perfeitamente fazer parte de um
jardim residencial de área relativamente pequena, em torno
de 250 m2, por exemplo. A seguir, algumas das espécies floríferas
facilmente encontradas em quase todo o Brasil:
Ipê-roxo-de-bola (Tabebuia impetiginosa) recebe
este nome em razão da forma de seus
cachos de flores. Chega a atingir cerca de 8 a 12 metros de altura
e perde suas folhas quando florido. É encontrado desde o Piauí
até Minas Gerais, Goiás e São Paulo, em geral
nas regiões de cerrado e caatinga. Floresce nos meses de maio
a agosto. Existem, ainda, outras espécies de ipê roxo,
como o T. heptaphylla.
Ipê
amarelo (Tabebuia vellosoi): pode chegar a 25 metros de
altura e é encontrado em Minas Gerais, São Paulo, Mato
Grosso, Goiás, Rio de Janeiro e, principalmente, na floresta
pluvial. As flores ocorrem a partir do mês de julho até
setembro e, assim como acontece com o ipê-roxo, também
perde suas folhas, resultando num belíssimo espetáculo
de intensa cor amarela, onde ramos e galhos praticamente desaparecem.
Existem várias espécies de ipês, com nomes vulgares,
que variam de região para região.
Quaresmeiras
- Entre as diversas espécies de quaresmeiras existentes, a
Tibouchina granulosa é a mais comum de se ver.
É também chamada de flor-da-quaresma por causa da época
de sua floração abundante, entre dezembro e março.
São perfeitas para o paisagismo em geral, por serem ornamentais
e por suas cores roxo e rosa. A Tibouchina mutabilis ou manacá-da-serra
é uma variedade muito encontrada na costa atlântica (daí
o seu nome). A floração ocorre de novembro a fevereiro
e as flores mudam de cor à medida em que envelhecem.
Pau-brasil (Caesalpinea echinata) é a histórica
árvore de onde se extraía um pigmento para tingir
tecidos, na época do Império. É a "árvore
nacional do Brasil" e pode ser encontrada ainda, em raros exemplares,
do Ceará ao Rio de Janeiro, no sul da Bahia, na Mata Atlântica
e mesmo em São Paulo. No entanto, é uma bela árvore
que pode perfeitamente ser usada em paisagismo. A floração
ocorre nos fins de setembro, numa tonalidade delicada de amarelo.
Suinã
- Aqui também temos várias tonalidade de matizes entre
o vermelho e o laranja. Destacamos a Erythrina speciosa ou
mulungu. Predominante na faixa da floresta Atlântica, sua floração
ocorre nos meses de junho a setembro, com a perda das folhas. É
uma árvore bastante ornamental, de pequeno porte, podendo ser
utilizada em diversas situações. Seu crescimento é
rápido e adapta-se bem a locais úmidos.
Christiane Ribeiro é arquiteta e realiza trabalhos combinando
arquitetura e paisagismo - http://sites.uol.com.br/chrisribeiro.arq