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E lá se vai nossa riqueza...

Entre os casos históricos de biopirataria no Brasil e que se tornaram mais conhecidos, há situações emblemáticas, como o pau-brasil, a seringueira ou a fruta do bibiri, registrada pelo laboratório canadense Biolink, apesar de usada há gerações como anticoncepcional pelos índios uapixanas, de Rondônia.

O caso mais famoso, porém, é o do professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Sérgio Ferreira, que descobriu no veneno da jararaca uma substância capaz de controlar a pressão arterial. Sem dinheiro para tocar as pesquisas, ele aceitou uma parceria com o laboratório americano Bristol-Myers Squibb. Em troca de recursos, a empresa registrou a patente do princípio ativo Captopril, um mercado que gera US$ 2,5 milhões ao ano em royalties, e o Brasil também tem de pagar.

A sabedoria para entender que determinada planta pode servir para esta ou aquela doença vem do conhecimento tradicional adquirido pelas populações nativas brasileiras, especialmente as indígenas da Amazônia. Há mais de 500 anos eles se tratavam com os princípios que hoje são rotulados e vendidos por fortunas no mundo inteiro.

Segundo pesquisa efetuada pelo Jardim Botânico de Nova York, o conhecimento tradicional aumenta em até 400% a eficiência da seleção de plantas em busca de suas propriedades. Resumindo: os nossos índios pesquisam, testam, e os laboratórios processam e industrializam, ficando com o lucro. Dos 120 componentes ativos isolados das plantas usados pela medicina, 74% apresentam correlação positiva entre o uso terapêutico moderno e tradicional.

Alguns fatos que merecem registro

Pau Brasil
A historia da biopirataria na Amazônia começou logo depois da "descoberta" pelos portugueses em 1500, quando os mesmos roubaram dos povos indígenas da região o segredo de como extrair um pigmento vermelho do pau-brasil. Hoje, a flora e a fauna do Brasil continuam desaparecendo e a madeira que deu ao Brasil seu nome, está sendo preservada apenas em alguns jardins botânicos.

Seringa
Provavelmente o caso mais infame é o do inglês Henry Wickham, que levou em 1876 sementes da árvore da seringueira - uns dizem que as sementes foram escondidas entre folhas de bananeira - rumo a uma nova plantação de Hevea brasiliensis nas colônias Britânicas na Malásia. Após algumas décadas a Malásia tornou-se o principal exportador de látex, arruinando a economia da Amazônia que era baseada principalmente na exploração da borracha. Nesse episódio histórico, Wickham foi armado cavaleiro pelo rei da Inglaterra, George V, porém, foi considerado maldito pelos seringueiros brasileiros que o chamaram "o Executor da Amazônia".

Andiroba
Comercializada na forma de sabonetes medicinais. Seu óleo serve para combater contusões, inchaço nas juntas. Também é usada na fabricação de velas repelentes de insetos, especialmente os mosquitos do gênero Anopheles, transmissores de malária. A Rocher Yves Vegetale registrou nos EUA, Europa e Japão a patente sobre a produção de cosméticos ou remédios que usem o seu extrato.

Ayahuasca
Cipó alucinógeno usado há quatro séculos em cerimônias religiosas de 300 tribos indígenas e em rituais do Santo Daime. Foi patenteado pela empresa americana International Plant Medicine Corp. Posteriormente, a patente foi cancelada. As pesquisas avançam para utilizar o cipó no combate ao câncer.

Bubiri
Suas sementes são usadas há séculos pelos índios wapixana, de Roraima, como anticoncepcional. O laboratório canadense Biolink patenteou o princípio ativo e desenvolve pesquisa com a substância para tratar a Aids.

Copaíba
É uma essência medicinal. O óleo é utilizado como matéria-prima para vernizes, tintas, fixador de perfumes, fabricação de papel. É um excelente anti-inflamatório e cicatrizante. Sua patente foi registrada no Japão.

Crotão
Suas substâncias deram origem a dois medicamentos: Provir e Virend. O primeiro serve contra a diarréia, e o segundo contra o herpes genital, doença que aflige mais de 30 milhões de norte-americanos. Pesquisas ainda em fase de testes apontam para o tratamento da Aids.

Cumaniol
Veneno usado pelos índios da Amazônia na pesca, foi patenteado pelo laboratório Biolink. A substância é um poderoso anestésico e pode ser usado para cirurgia delicadas no coração.

Curare
Mistura de ervas guardada em sigilo pelos índios e usada na ponta das flechas como veneno para imobilizar a presa. Foi patenteado pelos EUA na década de 40 e é usado na produção de relaxante muscular e anestésico cirúrgico.

Jaborandi
Já transformado em remédio - Salegen - pelo laboratório alemão Merk, a planta é o antídoto contra a xerostoma (dificuldade de salivar). Pesquisas do mesmo laboratório, baseadas na cultura indígena e dos caboclos, estão produzindo um remédio contra a calvície.

Jararaca
Pesquisador brasileiro descobriu no veneno da cobra uma substância para controlar a hipertensão. O laboratório Bristol Myers-Squibb financiou a pesquisa e registrou o princípio ativo contra pressão alta, um mercado de US$ 2,5 bilhões. O Brasil paga royalties, como o resto do mundo.

Jenipapo
Usado largamente na indústria de cosméticos. A indústria Aveda Corporation indenizou os índios guarani-kaiowa pela propriedade intelectual.

Quebra-pedra
Usada pelos índios para tratar problemas hepáticos e renais, foi patenteada por uma empresa americana para a fabricação de medicamento para hepatite B.

Sapo-tricolor
O sapo que vive nas árvores da Amazônia possui uma toxina analgésica 200 vezes mais potente do que a morfina. O laboratório americano Abbott sintetizou a substância e vende a droga.

Jararaca-ilhoa
A cobra, que só existe na ilha da Queimada Grande, no litoral Sul de São Paulo, é considerada exótica e desperta interesse em colecionadores do mundo todo pela sua beleza e pelo poder de seu veneno, muito mais letal do que o das outras espécies de jararaca. Há dois anos, alguns exemplares da serpente foram encontrados à venda num mercado de animais em Amsterdã.

O caso do curare merece uma explicação mais detalhada:
O conhecido Curare é uma mistura de várias espécies de plantas que ocorrem na Amazônia. Estas plantas são fervidas, todas juntas, durante três dias, resultando num xarope ou numa massa. São usados cerca de 40 tipos de curare na Amazônia e há a necessidade, às vezes, da substituição de algumas das plantas, pois nem todas crescem no mesmo local.

Usado nas pontas de flechas pelos índios, o curare serve para paralisar a caça ou matar seus inimigos. Causa paralisia dos músculos interferindo na transmissão de impulsos nervosos entre a ação do nervo e o mecanismo da contração muscular, provocando morte por asfixia. Com o auxílio de respiração artificial, a vítima pode se recuperar sem lesões. Os povos indígenas também usam o curare como anti-séptico, diurético, antifebril, e até como tônico.

O conhecimento tradicional sobre essas misturas de ervas foi guardado em sigilo pelos índios durante séculos. Alexander von Humboldt foi o primeiro Europeu, em 1800, a testemunhar e descrever como os ingredientes eram preparados. Mas o curare começaria a ser utilizado como um anestésico apenas em 1942, poucos anos depois que seu ingrediente ativo, o d-tubocurarine foi isolado.

Os princípios ativos mais comuns são os alcalóides curarine e tubocurarine, que se encontram hoje no mercado sob os nomes de Tubarine, Metubine Iodine, Tubadil, Mecostrin e Vectracurium, produzido pela Wellcome, e o Vecuronium, produzido pela Organon. As empresas Wellcome, Abbot e Lilly (EUA) detêm patentes de relaxantes musculares e anestésico cirúrgico com base no curare. Nesse caso também não há repartição de benefícios pelo acesso e uso desse conhecimento tradicional associado à biodiversidade.

Fontes: www.biopirataria.org e http://www.rain-tree.com/curare.htm

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